História
Arte que dominou o continente
Quando o Cruzeiro surgiu no futebol mineiro, nos anos 20, a cena
era dominada por América e Atlético. E o Cruzeiro era
na verdade o Palestra, um fruto da colônia italiana que
queria formar um time com uma cara mais popular.
O Palestra veio e abalou as montanhas de Minas Gerais, conquistando
títulos e se firmando como uma importante força no
futebol do Estado. A década de 40 viu a mudança de
nome de Palestra para Cruzeiro, por causa da Segunda Guerra
Mundial. Em seguida, o clube mergulhou numa crise e parou de
investir no futebol. Mas quando a torcida voltou a sorrir, percebeu
que a espera valera a pena.
O Cruzeiro dos anos 60, com o futebol-arte de Tostão e
Dirceu Lopes, foi uma das maiores equipes que o Brasil já
viu. Desde então, o Cruzeiro conquistou a América
duas vezes, foi rei na Copa do Brasil e se firmou como uma
potência do futebol brasileiro. Potência que ainda deu
ao mundo o jovem Ronaldo, o futuro Fenômeno do futebol
mundial. O sonho dos italianos dos anos 20 virou mesmo
realidade.
1921 - 1923 — Da fundação ao
primeiro estádio
1924 - 1930 — Surgem os Fantoni
1931 - 1936 — Tempos modestos
1937 - 1942 — O fim da Era Palestra
1943 - 1945 — O estádio JK
1946 - 1952 — Tempos de crise
financeira
1953 - 1960 — Criação da Sede
Social
1961 - 1964 — Começa a era
Brandi
1965 - 1969 — Rumo à
glória
1970 - 1975 — O time dos sonhos
1976 - 1982 — A conquista da
América
1983 - 1990 — Poucos títulos: uma
fase difícil
1991 - 1992 — O Bi da Supercopa
1993 - 1994 — Ronaldo: da Toca para o
mundo
1995 - 2000 — Desbancando o
Palmeiras
1921 - 1923 — Da fundação ao primeiro estádio
No início do século XX, a colônia italiana de
Belo Horizonte tentava, sem sucesso, formar um time de futebol que
pudesse disputar os torneios locais. Várias tentativas foram
feitas e todas acabaram em frustração. Foi o caso do
Americano Football Club (1907) e do Scratch Italiano (1916), que
chegaram a ser fundados mas não completaram, sequer, um ano
de vida. Pouco depois, foi a vez do Palestra Brazil (1918), que nem
chegou a ser implantado, ficando apenas no projeto.
Em 1920, aproveitando a presença do cônsul italiano na
capital mineira, alguns desportistas da colônia levaram-lhe a
idéia da criação do clube, nos mesmos moldes
do Palestra Itália, de São Paulo, o atual Palmeiras.
A resolução foi acertada depois que algumas das
principais famílias italianas se prontificaram a participar
do projeto de fundação do clube, que deveria
representar a colônia em Belo Horizonte. A reunião foi
marcada para o dia 2 de janeiro de 1921. Na fábrica de
materiais esportivos e calçados de Agostinho Ranieri,
situada à rua dos Caetés, ficou decidida a
fundação do clube que deveria fazer frente aos
três grandes da capital: Atlético Mineiro,
América e Yale. Nascia, naquele momento, a Società
Sportiva Palestra Itália, criada pelos presentes com escudo
e uniforme que faziam referência às cores italianas, e
cuja inscrição SSPI seria gravada no centro do
escudo. Outra definição acertada era que apenas
membros da colônia italiana poderiam vestir a camisa do
time.
O Palestra surgia como o representante do povo, já que
Atlético e América eram de bases ligadas à
alta sociedade. O novo clube tinha, na sua maioria, membros ligados
à agremiação dos trabalhadores. A
implantação do Palestra Itália foi
rápida. Primeiro, o clube se inscreveu na Liga Mineira de
Desportos Terrestres (LMDT), para participar do campeonato local,
ainda no ano de 1921. A formação do quadro de
jogadores foi mais fácil do que se esperava, pois alguns
atletas do Yale - time com certa predominância de italianos -
se transferiram para o novo clube, logo que souberam da sua
criação. Três meses depois de fundado, o
Palestra realizou a sua primeira partida, no estádio do
Prado Mineiro, enfrentando um combinado entre Villa Nova e
Palmeiras, times de Nova Lima. O atacante João Lazarotti,
conhecido por Nani, marcou os gols que deram a vitória ao
Palestra.
A primeira conquista do Palestra veio duas semanas após a
partida de estréia, quando enfrentou o Atlético, em
partida promovida pela Associação Mineira de
Cronistas Desportivos (AMCD). Apesar de todos acharem que o
Atlético pudesse vencer facilmente, o Palestra surpreendeu e
sapecou um 3 x 0, conquistando a medalha de ouro oferecida pela
AMCD. Os gols palestrinos foram marcados por Attílio (2) e
Nani. Esse resultado fez com que o Palestra, em seu primeiro ano de
vida, começasse a sofrer discriminação por
parte de dirigentes do futebol mineiro. Em um campeonato oficial, a
primeira participação do clube aconteceu no Mineiro
de 1921. Depois de passar por uma seletiva, o Palestra conseguiu
chegar à fase final, jogando contra os considerados
"grandes".
Com apenas um ano de vida, o Palestra já tinha o seu hino,
composto em maio de 1922 por Arrigo Buzzachi e Tolentino
Miraglia.
Em 1922, o clube já tinha comprado um quarteirão
inteiro da Prefeitura por cerca de 50 mil réis. A
idéia era erguer o próprio estádio, no Barro
Preto, que ficaria pronto naquele ano mesmo, depois que outros
investimentos totalizaram a marca de 28 mil réis. O
adversário na estréia do estádio foi o
Flamengo. A partida foi marcada para o dia 23 de setembro,
próximo à comemoração do dia nacional
da Itália (20/9). O time mineiro, que tinha em sua linha de
frente, formada por Piorra, Nani, Heitor, Ninão e
Armandinho, a sua grande arma, foi reforçado por três
atletas do Palestra Itália de São Paulo: o zagueiro
Gasparini, o meio-campista Severino e o atacante Heitor. O jogo foi
equilibrado e terminou com o empate em 3 x 3, o que valeu ao
visitante a Taça XX de Settembre. Os gols da equipe mineira
foram de Ninão (2) e Heitor, enquanto Benevenuto, Agenor e
Mário anotaram para os cariocas.
1924 - 1930 — Surgem os Fantoni
A trajetória do Palestra já era surpreendente
até então, e o primeiro título mineiro
não demorou a chegar, embora tenha ocorrido de um modo
confuso. Em 1926, o clube aceitou um convite para fazer um amistoso
em Caçapava (SP), contra o Caçapavense, no mesmo dia
de sua estréia no certame regional. A falta ao jogo em Minas
Gerais valeu ao Palestra uma suspensão de seis meses da Liga
mineira, que inviabilizou a disputa do campeonato de 1926. Sem se
intimidar, os dirigentes do clube solucionaram o problema com a
criação de uma outra Liga, que organizou o
próprio campeonato. No final do ano, o estadual teve dois
vencedores, o Atlético por um lado e o Palestra pela outra
Liga.
A Liga criada pelo Palestra ganhou o reconhecimento da CBD. Ao ver
que os dirigentes do clube não voltariam atrás, a
LMDT recuou em 1927, depois de ameaçar tirar banir o
Palestra, e repatriou a equipe do Barro Preto, que exigiu a
inclusão dos clubes integrantes da AMET no campeonato.
Na verdade, os rivais América e Atlético perceberam
que a ausência do Palestra no campeonato de 26 e seu
possível afastamento também em 27 não seria
bons para o futebol mineiro. Passaram, assim, a pressionar a LMDT a
reincluir o time do Barro Preto em seus quadros. O principal motivo
da atitude de atleticanos e americanos estava no fato de o
estádio do Palestra ser o grande palco do futebol estadual
da época. Enquanto torcedores alvinegros e alviverdes se
espremiam para ver os seus times, os palestrinos contavam com um
estádio maior e mais aconchegante para assistir às
partidas de sua equipe.
A importância do Palestra passou a ser tanta que
Atlético e América passaram a se aproveitar da
influência que tinham dentro dos poderes públicos da
cidade e do Estado para contratar jogadores, oferecendo-lhes
residência e empregos na rede pública. Os dirigentes
palestrinos, atentos às reformulações nos
elencos atleticano e americano, tratou de fortalecer seu plantel
trazendo jogadores do Palestra paulista. A rivalidade fez com que a
colônia formasse um timaço, que viria a conquistar o
tri-campeonato em 1928, 1929 e 1930, com um ataque arrasador e a
consagração do artilheiro Ninão.
O título de 1928 veio pela primeira vez com confrontos
diretos com Atlético e América. Mas o campeonato
só foi definido em abril de 1929, quando o Palestra
recuperou o título, que havia sido repassado para o
Atlético devido a uma irregularidade com o atleta Carazzo,
vindo do Palestra paulista. Tudo não havia passado, no
entanto, de armação de um dirigente corintiano,
descoberta bem depois. Em 1929 e 1930, quando beliscou o primeiro
bi e depois o tri-campeonato, o time não perdeu nenhuma
partida, vencendo os canecos de maneira invicta. Na conquista do
bi, em 1929, um sócio do clube teve a idéia de expor,
na vitrine da sede do clube, a bola do último jogo do
torneio, com o placar da partida gravado sobre o couro (Palestra 5
x 2 Atlético).
Aquela foi uma época de ouro, em que se destacaram dois
atacantes, Ninão e Nininho. Além da qualidade
técnica, tinham em comum o sobrenome Fantoni, o que
não era coincidência: os dois eram primos. João
Fantoni, ou simplesmente Ninão, foi o primeiro grande
ídolo do Palestra, alcançando a marca de 163 gols em
130 jogos. A dupla de Fantonis partiria depois para a
Itália, mas um terceiro jogador da família
também faria história no clube.
1931 - 1936 — Tempos modestos
Um ano após a conquista do tri-campeonato mineiro, o
Palestra perdeu os jogadores Ninão e Nininho, que se
transferiram para o futebol europeu, além de outros cinco
astros da máquina que empolgara a torcida na recente
façanha: Nereu e Rizzo haviam pendurado as chuteiras, Pires
retornou para Nova Lima, Carazzo foi para o futebol paulista, e o
zagueiro Bento morreu. Surgia então um novo Fantoni, o
atacante Niginho, irmão de Ninão e primo de Nininho,
que havia participado do time anterior, mas só agora
ganharia a condição de titular.
Em 1933, o profissionalismo chega ao futebol. O Palestra, bem
enfraquecido, não conseguia repetir o sucesso do final da
década de 20, quando tinha um timaço. As suas
estrelas se limitavam ao goleiro Geraldo Cantini e aos atacantes
Piorra, Bengala e Armandinho. Niginho também se transferiu
para a Lazio, onde atuou até 1935. Com a sua ausência,
o Palestra via seu futuro restrito a apenas um jogador: o atacante
Ítalo Fratezzi, conhecido por Bengala.
1937 - 1942 — O fim da Era Palestra
A má fase palestrina só teve fim no ano de 1940,
quando o time voltou a conquistar o título mineiro.
Após muita confusão durante a
competição, o time decidiu o campeonato com o
Atlético, já em 41, numa melhor de três. O
Palestra venceu a primeira partida por 3 x 1, e o Atlético
deu o troco, fazendo 2 x 1 no segundo jogo. No terceiro e
último duelo, Nibinho e Alcides fizeram os gols que
garantiram a vitória por 2 x 0 e o título do
Campeonato. Esta seria a última partida do time com o nome
de Sociedade Esportiva Palestra Itália.
Com a Segunda Guerra Mundial, em 1941, o governo brasileiro
declarou guerra aos países do Eixo (Alemanha, Japão e
Itália). O Palestra e tudo mais ligado à alguma
dessas nações vivia sob um clima de tensão. O
estádio do clube sofreu ameaça de ser incendiado,
salvando-se graças à intervenção da
Polícia Militar. No início de 1942, a
situação ficou insustentável, e o Palestra
teve o mesmo destino do seu homônimo paulista: foi obrigado a
mudar de nome, pois o governo federal decretou uma lei proibindo o
uso de termos que fizessem referência a algum dos
países do eixo. O clube mudou de nome três vezes,
até chegar ao nome atual: Cruzeiro Esporte Clube.
Em 17 de dezembro de 1942, Mário Grosso foi eleito pelo
Conselho para presidente do Cruzeiro (era o primeiro desde o
surgimento do novo nome). O primeiro jogo da equipe com o nome
Cruzeiro aconteceu no final de 1942, diante do América. O
nome deu sorte, e o Cruzeiro venceu por 1 x 0, gol de Ismael.
1943 - 1945 — O estádio JK
Apesar da estréia do nome Cruzeiro ter sido no final de
1942, foi só em 1943 que o time passou a usar o novo
uniforme: camisas azuis, com golas brancas, calções
brancos e meias em azul e branco. O símbolo agora era a
Constelação do Cruzeiro do Sul. A estréia
deu-se num amistoso diante do São Cristóvão,
do Rio de Janeiro.
O time cruzeirense sofreu muitas mudanças desde o
título de 40: Caieira, Geninho, Geraldino e Bibi foram para
o Botafogo-RJ, mas surgiram novos valores como o zagueiro Azevedo,
Adelino, Ismael e Juvenal, entre outros. Além dos novos
atletas, continuavam no elenco grandes jogadores, como Alcides e
Geraldo II. O novo time era melhor que o anterior e conquistou o
título do Campeonato Mineiro de 43, o primeiro da Era
Cruzeiro. Em 1944 e 1945, voltou a ficar com a taça,
sagrando-se novamente tricampeão.
Em 1º de julho de 1945, o Cruzeiro estréia seu novo
estádio. O estadinho havia sido reformado, durante quatro
meses, por associados, diretores, jogadores e alguns cruzeirenses
anônimos, ganhando novos vestiários, arquibancadas,
gerais, tribuna de honra, tribuna de imprensa e túnel para
saída de jogadores sem a interferência do
público. O gramado também sofreu
alterações, com a implantação do novo
sistema de drenagem. O jogo de inauguração do
estádio Juscelino Kubitschek, nome dado em homenagem ao
então prefeito de Belo Horizonte, foi contra o Botafogo:
empate em 1 x 1, com gols de Niginho para o Cruzeiro e Heleno de
Freitas para o alvinegro.
No dia 21 de novembro do mesmo ano, foram inaugurados os refletores
do estádio. O Cruzeiro recebeu o América-RJ e
não foi exatamente um bom anfitrião, goleando os
cariocas por 4 x 0, com 3 gols de Braguinha e um de Niginho.
1946 - 1952 — Tempos de crise financeira
A partir de meados da década de 40, após os
títulos de 1943, 1944 e 1945, o Cruzeiro entrou numa grave
crise financeira, mergulhado num mar de lama. O time não
conquistava títulos e, quando os conquistava, o clube
não tinha como pagar os bichos prometidos, tampouco recursos
para segurar os atletas que se destacavam. Um grupo de jovens,
preocupados com o alargamento da crise, criou a Ala Jovem, que
vinha requerer uma participação mais ativa junto
à diretoria. O difícil para esses jovens era como
atuar muito perto da direção do clube. A
solução encontrada, que parecia poder ajudar o
Cruzeiro a sair do fundo do poço, era a prática de
esportes especializados.
Mas, apesar do fortalecimento de outros esportes, é claro
que o futebol do Cruzeiro continuou na ativa, participando dos
campeonatos estaduais, porém sem grandes conquistas. O
destaque do time dessa vez não estava no ataque, mas no gol:
era o experiente goleiro Geraldo II.
1953 - 1960 — Criação da Sede Social
Depois do sucesso do chamado esporte especializado do Cruzeiro, o
pessoal do futebol passou a dar importância à Ala
Jovem, permitindo que seus membros entrassem para o Conselho
Deliberativo do clube. Em meio à crise financeira, a
presidência cruzeirense ficou vaga, com a saída de
José Greco. Não aparecia nenhum interessado em
assumir o comando, até que, depois de dez reuniões,
Wellington Armanelli foi eleito e aceitou o cargo, logo transferido
para José Francisco Lemos Filho. A Ala Jovem, atuando dentro
do clube, dava início ao projeto de construção
de uma Sede Social para o Cruzeiro, com a ajuda novamente da
Loteria do Estado, que havia liberado verba para a
construção do prédio. O benefício,
porém, acabou sendo suspenso, pois o acerto inicial de
contas não foi feito. O presidente José Francisco fez
um apelo a dois cruzeirenses fornecedores de materiais de
construção: Jerônimo Corte Real e Othon de
Carvalho. Com o aval de outros dois homens de expressão do
clube - Josias de Faria e Miguel Morici -, foi possível
pagar o que devia à Loteria do Estado e reiniciar a
construção da Sede Social. No final de 1954, a
construção da Sede Social do Barro Preto foi
finalizada, já no mandato de Eduardo Bambirra (terceiro
presidente do clube em 54). Confirmando os planos da Ala Jovem, a
Sede Social veio como uma salvação para o clube. Com
ela, o número de associados passou de duzentos para dois
mil. A crise não havia ainda sido solucionada, mas já
era um bom indício de que as coisas poderiam estar mudando
para os cruzeirenses.
Para o Campeoanto Mineiro de 1956 foi possível montar um bom
time. A competição só teve início em
agosto e se arrastou até junho de 1957. O Cruzeiro, desde o
início, protestava contra a escalação do
atleticano Laércio. O clube alegava que ele não tinha
o visto de reservista e havia sido inscrito por meio de uma fraude.
O Atlético insistiu em escalar o jogador e, com ele em
campo, conseguiu bater a equipe cruzeirense na partida final por 1
x 0. Esse jogo, porém, foi anulado pela
Federação Mineira de Futebol, que marcou outra data
para a realização da decisão, o que não
foi aceito pelo Atlético. No final das contas, o Cruzeiro
acabou reconquistando o título de campeão mineiro,
que não obtinha desde 1945. Mas tudo acabou, no final, em
pizza. Apesar de ter sido declarado campeão de 1956 pela
Justiça, em 1958 o Cruzeiro aceitou dividir o título
com o ainda inconformado Atlético.
Entre os campeões cruzeirenses, estavam o goleiro Mussula e
os atacantes Nilo e Raimundinho.
Duas facções passaram a disputar o poder no Cruzeiro,
no final dos anos 50. Uma corrente era a do Barro Preto, formada
por pessoas ligadas ao esporte especializado. A outra era dos
chamados oriundi, onde sobressaíam Antonino Pontes,
Hélio Volpini, Carmine Furletti e Felício Brandi,
homens ligados ao futebol do clube. No final, as duas alas acabaram
unidas, com Antonino Pontes assumindo a presidência. O time
foi reformulado, recebendo jogadores vindos do interior e da
várzea, casos dos zagueiros Procópio e Massinha, do
meia-direita Nelsinho e do atacante Gradim, entre outros. O
Cruzeiro conquistou o título de 1959. Em 1960, estreando um
novo uniforme, com pequenas modificações, o Cruzeiro
conquistou o bicampeonato.
1961 - 1964 — Começa a era Brandi
Em 1961, Felício Brandi assume a presidência do clube,
em substituição a Antonino Pontes. O time, até
então conhecido nacionalmente, passaria a se notabilizar no
cenário internacional. Esse era, por sinal, o plano de
Brandi. Já no primeiro ano no comando do clube, o presidente
viu seus atletas conquistarem mais um tricampeonato para a
história cruzeirense. O time havia perdido duas peças
importantes, Procópio (negociado com o futebol paulista) e
Hilton Oliveira (foi para o Rio de Janeiro), mas contratou
três reforços: o meiocampista Orlando, o atacante
Tião e o lateral-esquerdo Geraldino.
Enquanto o time celeste conquistava o tricampeonato em 1961, a
diretoria procurava aumentar o espaço da sede social. A
construção da sede Campestre foi feita com a venda de
cotas que garantiram o início das obras. A
inauguração ocorreu em 1961. O clube havia ganho um
terreno da Prefeitura no final dos anos 40 e ainda não
construíra nada no local. A primeira idéia foi erguer
um novo estádio, mas os altos custos não colaboraram.
A solução encontrada foi a construção
de uma Sede Campestre, por meio da venda de cotas. Em 1961, a
primeira parte da Sede Campestre ficou pronta, já com 4 000
associados.
Em 1964, começou a ser formado o maior time do Cruzeiro de
todos os tempos, que mais tarde viria a conquistar diversos
títulos importantes. O sonho do presidente Felício
Brandi era o de transformar o Cruzeiro em uma equipe tão
forte e competitiva quanto o Santos de Pelé. Naquele ano de
64, chegaram ao Cruzeiro o zagueiro William e o meia Hilton Chaves,
que pertenciam ao América, e o jovem Wilson Piazza, do
Renascença. O lateral Pedro Paulo estava subindo das
categorias de base, assim como Tostão e Dirceu Lopes
começavam a despontar. O técnico Marão foi
responsável pela descoberta de muitos craques, mas foi
substituído por Aírton Moreira, depois que o seu time
fracassou no Estadual daquele ano. Aírton foi testando os
jogadores e montando a fabulosa equipe que pouco tempo depois
escreveria as mais belas páginas do Cruzeiro no mundo do
futebol brasileiro e internacional.
1965 - 1969 — Rumo à glória
A partir de meados da década de 60, mais precisamente 1965,
o Cruzeiro começa a surgir no cenário nacional e
internacional como uma grande potência. A história do
clube pode ser dividida entre antes e depois daquele ano. O curioso
é que essa data permite também a divisão da
história do futebol mineiro, pois também em 1965
é inaugurado o estádio José de
Magalhães Pinto, o Mineirão. O Campeonato Mineiro de
1965 teve início no mês de julho, dois meses antes da
inauguração do Mineirão. Até
então, o Cruzeiro não havia engrenado e fazia uma
campanha irregular no certame. Depois da inauguração,
tudo mudou. Como que inspirado no novo estádio, o time se
transformou, passando a desfilar um futebol empolgante. O
título foi conquistado de forma convincente. Começava
a surgir o timaço das estrelas celestes.
A diretoria cruzeirense, trabalhando em sintonia com o time
campeão de 1965, investiu ainda mais para a temporada de 66,
fortalecendo a equipe. Trouxe o zagueiro Cláudio, que atuava
no Grêmio, o atacante Evaldo, jogador do Fluminense, e o
goleiro Raul, até então um mero reserva do São
Paulo. Raul foi para o Cruzeiro graças à
negociação do colega Fábio, que saira
transferido para Tricolor paulista. O presidente Felício
Brandi recebeu informações sobre o goleiro reserva do
Morumbi e, por meio de uma ligação para Vicente
Feola, responsável pelo futebol do São Paulo, acertou
a contratação do jovem goleiro.
O ano de 1966 foi de grande alegria para o torcedor cruzeirense.
Primeiro veio a conquista do bicampeonato mineiro. O Cruzeiro
sobrou no estadual, conquistando o título com duas rodadas
de antecedência. Teve o melhor ataque, a melhor defesa e os
artilheiros da competição: Tostão e Dirceu
Lopes marcaram 18 gols cada e dividiram a artilharia. Foi
também nesta época que a torcida azul começou
a se multiplicar.
Com o time que tinha, a conquista do certame regional era pouco
para o Cruzeiro, que queria mais. O clube fez uma ótima
campanha na Taça Brasil até chegar às finais,
quando enfrentaria o temível Santos. Mostrando um futebol
excepcional, que envolveu todo o país, a equipe celeste
não deu mole para o time de Pelé. Na primeira
partida, o Cruzeiro arrasou os paulistas, fazendo um surpreendente
6 x 2 no Mineirão. O primeiro passo já havia sido
dado, mas havia ainda o jogo em São Paulo. Em caso de
vitória santista, uma terceira partida decidiria o torneio,
também em São Paulo. Os garotos cruzeirenses
precisavam arrancar ao menos um empate na Terra da Garoa para ficar
com a Taça. Após perder o primeiro tempo por 2 x 0, o
Cruzeiro se recuperou na segunda etapa. Surpreendeu a todos,
fazendo 3 x 2, com Tostão ainda perdendo um pênalti.
Os gols dos mineiros foram marcados por Tostão, Dirceu Lopes
e Natal, enquanto Pelé e Toninho fizeram para o time da
casa. O título ficou com os mineiros, depois de um
histórico show de bola cruzeirense.
Depois das conquistas de 66, o time e a trocida celeste continuaram
crescendo, tornando cada vez mais difícil a missão
atleticana de reconquistar a condição de o maior de
Minas. O Campeonato Mineiro de 1967 foi um dos mais disputados da
década, com o Atlético chegando a abrir cinco pontos
na frente da Raposa, que se recuperou no final e conseguiu terminar
a primeira fase empatada com o seu grande rival. A decisão
do Estadual aconteceu no início de 1968 e colocou frente a
frente os dois mais tradicionais times do Estado. Pela primeira
vez, Atlético e Cruzeiro faziam uma final no
Mineirão. Com duas vitórias incontestáveis (3
x 1 e 3 x 0), o Cruzeiro chegava novamente ao título, como
já acontecera nos dois anos anteriores. O time de
Tostão, Dirceu Lopes e companhia voltava a fazer o Cruzeiro
tricampeão Mineiro.
Após conquistar o tricampeonato pela quarta vez, o Cruzeiro
entrava no certame regional de 1968 com um tabu a ser quebrado: a
conquista do tetra. A base dos últimos anos havia sido
mantida, e a equipe ainda recebeu alguns reforços, como o
atacante Rodrigues, vindo do Flamengo, e o meia Zé Carlos,
que mais tarde se tornaria um dos grandes craques do time do
Cruzeiro de todos os tempos. Outra mudança estava no banco,
com Orlando Fantoni assumindo o comando técnico da equipe,
em substituição a Aírton Moreira. Com uma
campanha invicta, a barreira do tão sonhado tetracampeonato
foi quebrada sem maiores dificuldades. O Cruzeiro reinava em Minas
Gerais, não dando chances ao rival alvinegro. Em 1969, mais
um título invicto. Em 30 partidas, o Cruzeiro venceu 26 e
empatou 4, sagrando-se pentacampeão Mineiro.
1970 - 1975 — O time dos sonhos
A década de 70 começou com o Cruzeiro perdendo a
hegemonia no Estado. Depois da conquista do pentacampeonato de 1965
a 1969, o time foi superado nos campeonatos de 1970 e 1971. Mesmo
assim, a equipe não perdeu a sua força, pois contava
agora com com a habilidade de Palhinha, Nelinho, Joãozinho,
Roberto Batata e um reforço argentino, considerado um dos
melhores zagueiros do mundo: Roberto Perfumo. O Cruzeiro recuperou
seu prestígio em Minas Gerais, vencendo a maior
competição do Estado novamente em 1972, 1973 e 1974,
mais um tricampeonato.
Enquanto a equipe cruzeirense conquistava os títulos
estaduais, a diretoria tratava de engrandecer ainda mais o clube. A
intenção do presidente Felício Brandi de fazer
do time um dos melhores do país já era realidade, mas
nem por isso se dava por satisfeito. No dia 3 de fevereiro de 1973,
foi inaugurada a Toca da Raposa, o mais completo e moderno centro
de treinamentos do Brasil. Com a inauguração da Toca,
o Cruzeiro foi o primeiro clube mineiro a organizar um departamento
médico especializado para dar assistência aos
jogadores de futebol. Em 1974, o Cruzeiro chega pela primeira vez
à final do Campeonato Brasileiro. O adversário na
final foi o Vasco da Gama, que acabou saindo vencedor. O
tetracampeonato Mineiro em 1975, quando a equipe jogou parte da
competição com o Expressinho da Vitória, um
time misto, viria novamente dar alegria aos torcedores azuis. E a
equipe chegou outra vez à final do Brasileiro, perdendo
novamente, desta vez para o Internacional de Porto Alegre.
1976 - 1982 — A conquista da América
O vicecampeonato no Brasileiro de 1975 rendeu ao Cruzeiro mais uma
participação na Taça Libertadores, no ano
seguinte. Pela terceira vez, a equipe mineira chegava ao mais
tradicional torneio das Américas. Com uma campanha
impecável, o Cruzeiro atropelou seus adversários e
chegou à decisão contra o River Plate, da Argentina.
As duas partidas previstas para a final terminaram com as equipes
empatadas, e brasileiros e argentinos voltaram a se enfrentar, num
terceiro jogo, em campo neutro, realizado em Santiago (Chile). O
Cruzeiro sagrou-se campeão, proporcionando à torcida
a maior alegria desde a fundação do clube, nos
longínquos anos 20. O título da Libertadores,
dedicado ao atacante Roberto Batata, veio coroar o trabalho do
presidente Brandi, que fez do Cruzeiro um celeiro de craques desde
a década de 60.
Passada a alegria do título da Libertadores, era hora de
pensar na disputa do título mundial. O Cruzeiro enfrentou o
alemão Bayern Munique. A primeira partida foi na Alemanha,
em pleno inverno, e os mineiros acabaram não resistindo ao
jogo dos europeus. O Bayern, de Beckenbauer, Müller,
Rummenigge e Mayer, foi superior e fez 2 x 0. No jogo de volta,
realizado no Mineirão para quase 115 mil pessoas, o Cruzeiro
pressionou sem conseguir vencer o goleiro Seep Mayer, o maior do
mundo na época. O placar de 0 x 0 deu o título aos
alemães, e a tristeza tomou conta da frustrada
torcida.
Em 1977, o Cruzeiro teve que se contentar com o título
mineiro. Voltado somente para o Estadual, o "scratch" azul e branco
tinha pela frente mais uma vez o rival alvinegro. O Atlético
era dono de um elenco forte, e as dificuldades aumentaram com o
desânimo pela eliminação na Libertadores. A
força atleticana foi comprovada na primeira partida, com o
placar de 1 x 0, mas o Cruzeiro não se entregou e buscou a
recuperação no segundo jogo. Venceu por 3 x 2, de
virada, com três gols do atacante Revetria. No terceiro e
decisivo duelo, a Raposa provou que não estava morta e fez 3
x 1, na prorrogação.
A grande máquina do Cruzeiro chegou ao fim no
crepúsculo dos anos 70 e início da década de
80. Os jogadores foram se debandando. Palhinha, Jairzinho e o
treinador Zezé Moreira já haviam saído depois
da conquista do Mineiro de 1977. Raul foi vendido ao Flamengo,
mesmo ano que o Guarani levou Zé Carlos. No início de
1980 só restavam no time Joãozinho e Palhinha, que
retornara do futebol paulista. O fim do supertime aconteceu,
coincidência ou não, quando o presidente
Felício Brandi foi substituído por Carmine Furletti,
em 1982. Brandi saiu com a missão cumprida. Neste momento, o
Cruzeiro era reconhecido como uma potência mundial.
1983 - 1990 — Poucos títulos: uma fase difícil
O Cruzeiro já estava havia seis anos sem conquistar o
Campeonato Mineiro, quando em 1984 venceu os dois turnos e ficou
com a Taça, evitando as finais. O ano de 1984 foi
também aquele em que a família Masci assumiu o
comando do clube, com a posse de Benito Masci, em
substituição a Carmine Furletti. As estrelas das
décadas de 60 e 70 davam lugar a um time mediano, com poucos
destaques. Entre os campeões de 1984, estavam Douglas,
Geraldão, Carlos Alberto Seixas e os remanescentes
Joãozinho e Palhinha, que disputavam a última
temporada com a camisa celeste.
Em 1987, com uma equipe formada basicamente nas divisões de
base, com contratações de pouco impacto, o Cruzeiro
venceu o Atlético nas finais. Após empate de 0 x 0 no
primeiro jogo, uma vitória celeste por 2 x 0 na segunda
partida selou a decisão. O destaque do time foi o ataque,
formado por Róbson, Careca e Édson. No meio de campo,
Douglas e Ademir ditavam o ritmo. Mais três anos de jejum se
passaram até que em 1990, novamente decidindo contra o
rival, o Cruzeiro voltou a vencer o Campeonato Mineiro, desta vez
sob o comando de Salvador Masci. Na final, o time bateu o
Atlético por 1 x 0, gol de Careca.
1991 - 1992 — O Bi da Supercopa
O time campeão estadual no ano anterior foi reforçado
para a temporada de 1991, com as chegadas de Mário Tilico,
Charles e Nonato. Apesar de perder a disputa regional para o
arquirival, o Cruzeiro, com uma ótima campanha, chegou ao
título da Supercopa dos Campeões da Libertadores.
Depois de passar por Colo Colo, Nacional de Montevidéu e
Olímpia, a Raposa bateu o River Plate na final. Os
argentinos saíram em vantagem, derrotando os mineiros por 2
x 0, em Buenos Aires. No jogo da volta, em Belo Horizonte, o time
de Ênio Andrade precisava devolver a vitória por dois
gols de diferença para levar a decisão para os
pênaltis. Com gols de Ademir e Mário Tilico (2), o
Cruzeiro deu o troco com direito a sobra, fazendo 3 x 0 e
conquistando a sua primeira Supercopa.
Em 1992, contando com estrelas do futebol brasileiro, entre elas
Renato Gaúcho, Luizinho e Roberto Gaúcho, além
do treinador Jair Pereira, a equipe estrelada conquistou o
Campeonato Mineiro e o bi da Supercopa. Na competição
Sul-Americana, o Cruzeiro passou por Nacional de Medellín,
River Plate e Olímpia, antes de enfrentar o Racing na final.
Com uma goleada de 4 x 0 e uma derrota por 1 x 0, o título
ficou mais uma vez na Toca.
1
993 - 1994 — Ronaldo: da Toca para o mundo
No primeiro semestre de 1993, o Cruzeiro confirmou a sua
condição de time copeiro, conquistando a Copa do
Brasil em cima do Grêmio. Os cruzeirenses eliminaram
Desportiva, Náutico, São Paulo e Vasco, antes de
enfrentar os gaúchos. O empate no Olímpico, em 0 x 0,
e a vitória miniera em Belo Horizonte por 2 x 1 garantiram
à Raposa o título do torneio.
No segundo semestre de 1993, um novo talento surgia na Toca,
despontando para o futebol mundial e a caminho de tornar-se o maior
jogador do planeta. O garoto Ronaldo, de apenas 16 anos,
começou a despertar o interesse de clubes e
empresários de todo o mundo com suas atuações
no Campeonato Brasileiro e na Supercopa de 1993. Em 14 jogos
disputados pelo Brasileiro de 1993, Ronaldo marcou 12 gols. O
atacante continuou balançando as redes no primeiro semestre
de 94, quando a Raposa faturou o Campeonato Mineiro diante do
Atlético, que havia montado um supertime, batizado de
"Selegalo". Na final do Estadual, o experiente time atleticano se
curvou diante do jeito moleque de jogar da nova
sensação do futebol brasileiro. Com 3 gols de
Ronaldo, o Cruzeiro fez 3 x 1 no Galo e ficou com mais um
título. As atuações de Ronaldo lhe valeram um
lugar na Seleção Brasileira que disputaria a Copa do
Mundo de 1994, nos Estados Unidos, quando passaria a ser chamado de
Ronaldinho. O rápido sucesso do atacante e a sua
convocação para a Seleção, acabaram
tirando-o da Toca. O Cruzeiro vendeu seu passe para o PSV
Eindhoven, da Holanda, por US$ 6 milhões, quantia
irrisória perto do que passou a valer o supercraque
brasileiro.
Com a venda de Ronaldo para o futebol europeu, o Cruzeiro
não conseguiu repetir o desempenho apresentado no primeiro
semestre e quase foi rebaixado para a segunda divisão do
futebol brasileiro. Após uma péssima primeira fase, a
equipe foi disputar a repescagem e por pouco não caiu.
1995 - 2000 — Desbancando o Palmeiras
No ano de 1995, o empresário José de Oliveira Costa,
o Zezé Perrella, assumiu a presidência do clube, pondo
fim ao reinado da família Masci. As primeiras conquistas do
Cruzeiro nessa gestão vieram no primeiro semestre de 1996. O
clube conquistou o Campeonato Mineiro de forma surpreendente. Outra
conquista marcante do clube foi a vitória sobre o Palmeiras,
em pleno Parque Antártica, quando a Copa do Brasil ficou
novamente em posse do Cruzeiro. Depois de atropelar
adversários de alto nível, como Corinthians e Vasco,
o time azul disputou a final da competição contra o
todo-poderoso alviverde paulistano. Na primeira partida, houve
empate no Mineirão em 1 x 1, mas o Cruzeiro superou o
Palmeiras por 2 x 1, de virada, na capital paulista. Roberto
Gaúcho e Marcelo Ramos garantiram a vitória e o
título para o Cruzeiro, um dos mais marcantes da
história do clube, não apenas pela dificuldade do
adversário, o melhor time do país na época,
mas pela nova chance de disputar a Libertadores da
América.
O Campeonato Mineiro de 1997 terminou com o Cruzeiro na final
diante do inesperado Villa Nova, que havia eliminado o
Atlético. Na partida decisiva, mais de 132 mil pessoas
compareceram ao Mineirão para ver a Raposa vencer por 1 x 0,
gol de Marcelo Ramos. Em toda sua história, o
Mineirão não havia recebido tanta gente para um
só jogo.
Mas foi no segundo semestre que a festa cruzeirense tomou conta das
ruas de Belo Horizonte. No dia 13 de agosto, a equipe estrelada
repetiu o feito de 1976 e novamente conquistou a Copa Libertadores.
Com uma campanha irregular, poucos acreditavam no sucesso do time
de Paulo Autuori. Mas mesmo assim os cruzeirenses conseguiram
superar todos os obstáculos e chegaram à final. O
adversário foi o time peruano do Sporting Cristal. Com um
empate e uma vitória, o Cruzeiro garantiu o bicampeonato da
Libertadores.
A campanha na Libertadores e a final do Mundial Interclubes, em
Tóquio, foram prioritários para o Cruzeiro em 1997,
que investiu todas as suas fichas nessas competições.
O Campeonato Brasileiro foi deixado em segundo plano. Mesmo porque
o time não estava mostrando um bom desempenho naquele
momento. Tanto que ele só fugiu do rebaixamento no
Brasileirão na última rodada. Mesmo tendo beliscado o
bi Sul-Americano, a diretoria resolvou mexer na equipe e contratou
alguns jogadores só para a disputa do Mundial, em
Tóquio, diante do Borussia Dortmund, da Alemanha. Com
técnico novo e desentrosada, a equipe fez o que se esperava:
perdeu para os alemães por 2 x 0, deixando escapar mais uma
vez o título de campeão do mundo.
A conquista do Campeonato Mineiro de 1998, diante do
Atlético, serviu para apagar a tristeza pela derrota no
Mundial. Nessa época, o time já contava com novos
ídolos, como Fábio Júnior, para muitos o novo
Ronaldo, e o goleiro Dida. Com três gols de Fábio
Júnior na primeira partida da final, o Cruzeiro venceu o
Galo por 3 x 2, revertendo a vantagem do rival. No jogo decisivo, o
placar apontou um empate em 0 x 0, que garantiu aos cruzeirenses o
tricampeonato. A diretoria contratou grandes jogadores para a
disputa do Brasileirão de 1998, fazendo do Cruzeiro um dos
maiores times do país. Entre os veteranos, o destaque foi o
atacante Müller, que apresentou um excelente futebol, digno
dos seus melhores tempos de São Paulo. A equipe chegou
à final diante do Corinthians e acabou sendo
vice-campeã. Dois empates nos primeiros jogos e uma derrota
na partida final adiaram o sonho do torcedor celeste de conquistar
o Campeonato Brasileiro, único título que o clube
ainda não possui. A temporada se encerraria com mais dois
vice-campeonatos: na Copa Mercosul e na Copa do Brasil, em ambas
finais derrotado pelo Palmeiras.
O final de 1998 marcou a despedida do goleiro Dida do Cruzeiro. O
grande ídolo da torcida não quis se reapresentar no
início de 1999, alegando ter recebido proposta oficial do
Milan. O caso envolvendo o atleta e o clube acabou na
Justiça . O goleiro se transferiu para a Itália, mas
ficou sem jogar durante seis meses, até ser emprestado pelo
clube italiano ao Corinthians. Antes amado pela torcida, Dida
passou a ser hostilizado quando jogava em Minas, por causa do
episódio. Outro desfalque para a temporada de 1999 foi o
atacante Fábio Júnior, vendido para a Roma, da
Itália, por US$ 15 milhões, transformando-se na maior
negociação do clube em toda sua
história.
No primeiro semestre de 1999, o Cruzeiro venceu a Copa dos
Campeões de Minas Gerais, vencendo o Atlético na
final por 5 x 1, a maior goleada do clube sobre o seu rival. A
conquista da Copa dos Campeões levou o time à disputa
da Copa Centro-Oeste, que também foi conquistada pela
equipe. No Campeonato Mineiro, o time parou na semifinal, eliminado
pelo Galo. Com a base do time de 1998 mantida, restava a
missão de conquistar o Brasileirão. A campanha na
primeira fase da competição foi excelente. O time se
classificou em segundo lugar. Nas oitavas-de-finais, porém,
o Atlético, que não fazia campanha tão boa,
acabou eliminando a Raposa com duas vitórias (4 x 2 e 3 x
2). O técnico Levir Culpi foi demitido após ficar
dois anos no comando do time. A boa notícia para a torcida
no segundo semestre foi a assinatura do contrato com a HMTF (Hicks,
Muse, Tate & Furst), que injetou R$ 40 milhões no
clube..
Vivendo uma nova realidade, o torcedor cruzeirense entrou no ano
2000 na expectativa de novas conquistas. A diretoria montou um bom
time, já utilizando recursos da parceria com a HMTF. O
início de 2000, porém, não foi bom para o
clube, que perdeu a decisão da Copa Sul-Minas para o
América e teve seu técnico Paulo Autuori dispensado
após a derrota diante do Atlético por 4 x 2, pelo
Campeonato Mineiro. Mas, considerando as conquistas e a
projeção obtida na década de 90, o Cruzeiro
pode se orgulhar de ter voltado aos tempos de glória,
exatamente o que se pode esperar de um clube que revelou
Tostão e Ronaldo ao mundo.
2001 - 2006 — Conquista histórica
Após a conquista da Copa do Brasil em 2000, o Cruzeiro
passou a viver uma época dos grandes técnicos. Marco
Aurélio, que depois voltaria a ocupar o cargo, não
teve tempo nem para comemorar o título, pois foi
substituído no dia seguinte por Luiz Felipe Scolari, o
Felipão, que em 2002 comandaria a Seleção
Brasileira na conquista do Pentacampeonato Mundial no Japão
e Coréia do Sul.
Mas foi sob a direção de outro treinador renomado,
Vanderlei Luxemburgo, que o Cruzeiro se destacaria no início
do século 21. Em 2003, o time celeste colheu os frutos do
trabalho iniciado pelo treinador no ano anterior. Quando Luxa
assumiu o cargo, a Raposa estava ameaçada de rebaixamento no
Brasileiro de 2002. Não caiu, teve uma boa
reação na competição e foi formada a
base do time que ganharia tudo no ano seguinte.
Não é força de expressão. O Cruzeiro,
em 2003, foi campeão mineiro, da Copa do Brasil –
superou o Flamengo na final –, do primeiro Campeonato
Brasileiro por pontos corridos da história da
competição. Fez barba, cabelo e bigode na conquista
da Tríplice Coroa, como ficou conhecido o feito.
Luxa foi mantido para a temporada seguinte, mas durou pouco. Acabou
se desentendendo com os dirigentes celestes e foi embora. O
então auxiliar-técnico Paulo César
Gusmão assumiu o cargo, iniciando sua carreira como
treinador e levou o time celeste ao título mineiro.
Não conseguiu levar o time mais longe na Libertadores
daquele ano e acabou dispensado.
A aposta da diretoria cruzeirense foi em outro técnico
medalhão. Leão foi contratado, mas não teve
êxito. Sem o meia Alex, o maestro da conquista da
Tríplice Coroa, a Raposa não se encontrou. No
restante de 2004 e em todo o ano de 2005, o Cruzeiro não
esteve bem. No ano passado, não conseguiu um único
título, quebrando uma seqüência de 15 anos de
conquistas.
Em 2006, com a manutenção de Paulo César
Gusmão, que foi contratado durante o Brasileiro de 2005, o
clube celeste voltou a ser campeão, ao superar o parceiro
Ipatinga, que o havia batido na final do Mineiro de 2005. Dessa
forma, o clube celeste volta a conquistar a hegemonia mineira.

